Se usadas com cuidado, as distrações podem fazer você chegar a níveis muito superiores de performance e até mesmo de foco!

Distrações NÃO SÃO Ruins! (Os 4 Tipos)

Distrações são um modo da sua mente ter foco. Vou te explicar como é possível usar os 4 tipos de distrações ao seu favor para uma mente mais serena!

Nós vivemos numa era repleta de distrações

Professores, pesquisadores e especialistas em produtividade – assim como eu – amam lembrar que temos uma grande dificuldade, quase uma incapacidade, de nos mantermos focados.

A tecnologia parece estar causando uma espécie de corrosão na nossa memória, criando danos irreparáveis em certas funções cerebrais e diminuindo cada vez mais nossa capacidade de trabalho focado.

“Ou você está focado ou está perdendo seu tempo”. Será?

A maioria das opiniões colocam as distrações como uma epidemia devastadora, mas isso não é nenhuma novidade para os especialistas.

Nossa atenção está cada vez menor, mas isso também aconteceu com nossos ancestrais quando os livros, o rádio e a televisão mudaram a forma com que consumíamos conteúdo.

E se pararmos de ver as distrações como inimiga?

Os Benefícios de NÃO Prestar Atenção

Deixar sua mente se entregar às distrações pode limpá-la e te dar maior clareza para lidar com suas ideias.

“Se você pensa que a aventura é perigosa, eu sugiro que você experimente a rotina… É mortal.” – Paulo Coelho

Uma das minhas maiores preocupações é o vício com as distrações. Cada vez mais parece que as pessoas estão totalmente desconfortáveis na presença delas mesmas.

O primeiro ponto que costumo trabalhar com meus clientes de coaching e alunos da Wevolution – por sinal, se não conhece a Wevo, clica aqui – são as distrações.

Trabalhamos e discutimos como podemos superar tais distrações, mas existe um ponto muito importante: você não pode ver a tecnologia como inimigo, mas sim como uma ferramenta.

Distrações podem melhorar a resistência e a performance. Ouvir música durante uma atividade física te dá um gás extra e torna a atividade mais divertida e menos dolorosa.

Um estudo da University of Columbia mostrou que as distrações são um mecanismo incrível para diminuir dores – atividades divertidas, que geram riso ou atividades interativas podem tirar seu foco da dor.

A tecnologia atual pode nos distrair das dores no presente, mas também pode nos tornar mais fortes no futuro. Como a Dr. Jane McGonigal mostra em seu app Superbetter (Android, iOS).

No app, a Jane nos mostra como algumas tecnologias podem aumentar nossa resistência, resiliência e desenvolver nossa habilidade de resolver e superar problemas no futuro.

Distrações Não São Negativas Nem Positivas

Não julgue suas distrações como sendo ruins, simplesmente entenda que elas estão lá. Aprender a conciliar e receber as distrações é essencial.

Não julgue suas distrações como sendo ruins, simplesmente entenda que elas estão lá. Aprender a conciliar e receber as distrações é essencial.

Existem diversos fatores que podem atrapalhar (ou não) sua produtividade. Vários estudos mostram que os resultados dependem de uma interação complexa entre: demanda de atenção para determinada tarefa e tipo da tarefa que vai executar.

Quando o estímulo (distração) é relevante para seu objetivo, não é uma distração real. Em contrapartida, quando o estímulo requer uma resposta imediata, vai roubar sua atenção e te atrapalhar. Além disso, pessoas realizando tarefas difíceis tendem a conseguir resistir mais às distrações do que alguém fazendo tarefas muito fáceis.

A tecnologia pode sim ter consequências negativas, mas definitivamente não é o inimigo.

Redes sociais podem “causar tanta depressão quanto comer batatas”, como disse Nir Eyal aqui. “Saltos tão grandes dados pela inovação tecnológica são frequentemente seguidos por pânicos morais”, ele explica.

Para chegar a tal conclusão ele mostra o exemplo de um cientista Suíço que se preocupava que dispositivos portáteis inovadores poderiam ter consequências perigosas e confusas.

Esse cientista disse isso em 1565 e ele estava falando sobre os efeitos adversos de… livros.

Paradoxalmente, posicionar as distrações como o inimigo distrai a sociedade de “encontrar significado em suas próprias realizações”, como podemos ver aqui.

Os 2 Mindsets da Distração

Já sabemos que as distrações não são o problema – o motivo pelo qual nos distraímos, esse sim, pode te ajudar ou atrapalhar.

Quando não conseguimos achar o caminho em direção ao foco e à atenção, tendemos a usar as distrações como uma porta de saída. Focamos nas distrações como uma maneira de escapar do que não queremos fazer.

As distrações se tornam uma maneira fácil para não precisar lidar com a realidade.

Esses são os dois mindsets que existem para lidarmos com as distrações:

Mindset do Escapismo

Usar a distração para recuperar sua força e lutar contra alguma dor é uma coisa. Viver em negação é completamente diferente.

O problema não é jogar videogames ou fazer maratonas de séries no Netflix para se divertir, mas sim fazer isso para evitar suas responsabilidades ou realizar suas tarefas.

Mindset do Crescimento

Distrações podem te ajudar a se preparar para lidar com o futuro. Estar “sempre online e disponível” pode ser tão perigoso quanto fugir das distrações.

Seu cérebro, assim como seu corpo, precisa de descanso. Dar esse tempo para sua mente descansar pode te ajudar a liberar sua criatividade e descobrir coisas novas.

No entanto, nem todas as tarefas impactam igualmente em uma pessoa – o que faz você crescer pode ser o escapismo de outra pessoa.

Os 4 Tipos de Distrações

Não, nem todas as distrações são dos celulares, mas você vai entender os 4 tipos e como lidar com eles a partir disso.

Não, nem todas as distrações são dos celulares, mas você vai entender os 4 tipos e como lidar com eles a partir disso.

Foco e Controle definem nossa relação com as distrações.

Estar no controle significa que você escolhe estar distraído ou focado. É uma escolha proposital.

Foco é a habilidade de manter a atenção em sua tarefa principal, independentemente das interrupções.

Existem quatro principais tipos de distrações, como você pode ver na matriz abaixo.

1. Ócio Criativo

Nesse estado você precisa de um intervalo ou quer evitar temporariamente a dor ou algo que está te incomodando.

Você decide estar distraído e tem um motivo claro para estar distraído.

Nesse estado você não deveria se sentir mal por fazer maratonas de séries no Netflix ou ficar jogando vídeo game, desde que você mantenha o controle. O problema está em fazer isso compulsivamente ou sem perceber.

2. Focado

Esse estado é quando você tem algo que deveria (ou gostaria de) estar focando e tem controle. Você direciona sua atenção para a coisa certa na hora certa.

Então, numa reunião você deixa seu celular no mudo (ou fora da sala de reunião) de propósito. Ao invés de se deixar levar pelas notificações, você deixa todas as possíveis distrações fora de seu alcance. Você cria espaço para fazer uma coisa por vez.

3. “Vida Leva Eu”

Como diria Zeca Pagodinho, nesse estado você não está em controle, a vida está te levando.

Você está dedicando seu foco e atenção às coisas erradas. Isso pode acontecer quando você pega seu celular para ler um email e, de repente, está no feed do Instagram. Ou pode acontecer quando você está fugindo da realidade. Você, basicamente, não consegue (ou não quer) focar no aqui e agora, ou seja, no presente… que é a única coisa que existe.

Sabe aquele colega que fica no celular enquanto outro colega apresenta uma nova idéia para a equipe? É dele que estou falando. Ele não tem controle sobre sua atenção e está focando na coisa errada.

4. Desgovernado

Quando ouvimos falar da “era das distrações” é disso que estão falando – querem nos fazer acreditar que a tecnologia deixa todos sem controle e desgovernados.

Os Budistas chamam isso de “Mente de Macaco” – você fica pulando de um pensamento para o outro aleatoriamente. Além de não ter controle de sua atenção, você também não consegue focar em nada por mais de um segundo.

A Mente de Macaco se alimenta dos estímulos das distrações e pula de galho em galho (pensamento em pensamento).

É como se você mudasse de um app para o outro sem parar e sem saber para qual está olhando em determinado momento. Existem tantas coisas rolando em sua mente que sua atenção não está em lugar nenhum – você se torna uma presa da ansiedade e dos pensamentos aleatórios.

Pensamentos Aleatórios e o Ócio Criativo

Você não pode calar a Mente de Macaco, você precisa adestrá-la primeiro.

Estar desgovernado significa que você está pulando de uma coisa para a outra porque não consegue focar. Ter Mente Ambulante é permitir que ela esteja “em movimento” sem focar em algo específico. Você não está fugindo, mas abrindo a porta para que novas coisas aconteçam.

Quando você aceita a Mente Ambulante de propósito, você torna seus pensamentos aleatórios em Ócio Criativo.

Treine sua mente para deixar o controle de lado. Não para evitar a realidade, mas para pausar, refletir, definir, recarregar e se inspirar.

Neurocientistas sugerem que a antiga arte de auto reflexão – da Mente Ambulante para o Pensamento Focado – é valiosíssima. Quando deixamos nosso cérebro descansar de propósito e deixamos nossa mente vagar livremente, coisas incríveis podem acontecer.

Deixe sua Mente de Macaco falar livremente. Seja paciente. Vai levar algum tempo até que você se torne amigo das distrações. Mas existem algumas dicas que podem ajudar.

Se perca de propósito

Ao invés de resistir à Mente Ambulante, crie as condições certas para que isso aconteça. Tente novos caminhos, ande pelo seu bairro sem um um destino final, mude sua rotina ou deixe outra pessoa escolher uma nova atividade. Ao se perder fisicamente, você deixa sua mente livre também.

Desarme seus pensamentos

A Terapia Cognitivo Comportamental usa a técnica da desassociação para ter consciência dos nossos pensamentos e aprender a adestrá-los.

Ao entender os pensamentos que ocupam sua mente, se torna mais fácil retomar o controle.

Para desarmar, você precisa olhar para seus pensamentos ao invés de a partir deles, perceber seus pensamentos ao invés de ficar preso neles e deixando-os irem e virem, sem se apegar.

Meditação

Para domar seu macaco interno, você precisa encará-lo primeiro. A meditação te dá um tempo reservado e quieto para ouvir, experimentar e entender sua Mente Ambulante. Você pode meditar pelo tempo que for e o mais importante: você não precisa bloquear seus pensamentos e emoções. Isso não é meditar!

Pense que cada pensamento que surge em sua mente é como um balão subindo e preso a um barbante. Você pode escolher pegar tal pensamento ou não e, em geral, queremos pegar todos eles.

Quando você medita, passa a apenas perceber que os balões estão ali, o que não significa que precisa pegar, controlando assim as distrações.

Tire um cochilo

Dormir é uma das maneiras mais efetivas de deixar sua mente vagar. Leonardo da Vinci tinha uma cama em seu estúdio. O mestre de diversas áreas do conhecimento tinha 6 cochilos de 30 minutos ao longo do dia, todos os dias.

Esse hábito além de ajudar o artista a descansar, permite também que se torne mais criativo.

Vá caminhar

Charles Darwin costumava deixar sua mente vagar durante suas caminhadas diárias. Isso o ajudava a recuperar seu foco.

Eu, particularmente, gosto até de fazer “reuniões” enquanto caminho. Boas idéias costumam surgir a partir disso.

Distraindo Suas Distrações

Sua mente é como esta foto, cheia de prédios (distrações) vindo à superfície. Deixe-os vir e aceite-os. Esse é o único modo de viver bem com sua mente.

Sua mente é como esta foto, cheia de prédios (distrações) vindo à superfície. Deixe-os vir e aceite-os. Esse é o único modo de viver bem com sua mente.

Um modo inteligente, simples e direto de controlar suas distrações é deixando-as fluir.

Tentar controlar distrações é como controlar um furacão. Você sofrerá fortes danos se o fizer.

Porém, quando um furacão vem em sua direção, você simplesmente precisa aceitar e tomar os devidos cuidados com ele para não prejudicar sua vida.

As distrações funcionam da mesma forma. Basta que você dê a elas o que elas precisam para crescerem nutridas e fortes.

Pode parecer estranho, mas ao nutrir suas distrações e deixá-las mais forte, elas ficarão mais fracas e te interromperão menos.

Por isso, minha dica é apenas que você abra um espaço todos os dias para distrair-se.

Seja com a contemplação de algo bonito, de um jogo, de uma série no Netflix ou o que bem você entender.

Abra espaço e obrigue-se a distrair-se, assim você terá maior atenção.

Aliás, você chegou ao final desse artigo. Meus parabéns, você conseguir lidar com todas as suas distrações para isso. Eu te convido a comentar aqui embaixo uma frase simples, mas que te trará muitos resultados.

Comente “Eu aceito minhas distrações e, por isso, eu tenho foco”.

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